domingo, 22 de setembro de 2013

Passeio do Poeta



Passeio do Poeta

Perante a neblina
do passado
vagueava o poeta
coberto de sorrisos

No tapete dourado
sentia-se o seu poder
O canto dos rouxinóis
inebriava-o

O Sol
com seus raios
cintilantes
enaltecia o seu poder

O poder do poeta
de gritar ao mundo
as injustiças terrenas
e então chorava

Coberto pela irmandade
sentia a alegria
das crianças no pátio
e então sorria

Nos campos de guerra
seus gritos cobriam-se
de vergonha
e então sentia-se a morrer

Quando passeava
pelas terras fertéis
via o trabalho do agricultor
e então rejubilava

O sofrimento era atroz
perante chacinas
perdidas no pecado
O desespero rodeava-o

Caía em prantos
pela morte
de uma criança inocente
num sofrimento perdido no tempo

Porquê Senhor
tantas atrocidades
perguntava o poeta
perdido no lamaçal.

Pedro Valdoy

sábado, 21 de setembro de 2013

Paz


Paz

Pelos terrenos da paz
os campos florescem
as crianças brincam
com o silêncio
dos canhões
cobertos de flores

No despertar sereno
o homem renasce
das trevas
de uma guerra esquecida
por montes e vales

com a paz
as espingardas
apodrecem em mãos
na tranquilidade
de uma humanidade
serena.

As escolas
reabrem para
uma infância
que atravessa
campos floridos.

Pedro Valdoy


O Dedo de Deus


O  Dedo de Deus

Percorremos a natureza
andamos pelos campos
apreciamos os oceanos
e o dedo de Deus está lá

Nossos sonhos serenos
o saltitar das crianças
o trabalho nos campos
e o dedo de Deus está lá

O voo da águia
levada pelas alturas
avista as terras cultivadas
e o dedo de Deus está lá

A paisagem frutuosa e bela
nos campos e nos rios
por vales e montes
a Sua presença está lá

Os rios e oceanos
cruzam-se serenamente
e confiantes seguem seus destinos
Deus bondoso sorri

O amor entre os homens
no labor constante
em combate pela paz
e o dedo de Deus está lá

Mas fica triste
pelo despudor do homem
quando pega em armas
para a destruição dos seus irmãos.

Pedro Valdoy

Aldeola


Aldeola

Os vidros da minha aldeia
por paredes caiadas
no vislumbre sereno
de uma casinha pura

Ruas serenas na lonjura
da cidade caída
por planícies verdejantes
no poço dos montes

Vestes limpas impecáveis
na solidão de um domingo
despejam no pátio da igreja
na reza de ingenuidades

Os garotos saltitam
por ruas soltas de inocência
no badalar dos sinos
por pecados ignorados.

Pedro Valdoy

Renovação


Renovação

As trevas cegavam os homens
tristes confusos
talvez indiferentes
e as palavras perdiam-se

Do céu infindo
Deus sentia aquela tristeza
e tomou uma decisão
enviar um profeta divulgar a palavra

No milagre e na beleza
nasceu o Deus menino
na simplicidade humana

No lugar mais humilde
mas belo e terno
no aconchego do Universo
inalterável aos séculos

E quantas crianças vivem na ilusão
de um lindo presépio
no sacrifício dos pais
para mais uma prenda.

Pedro Valdoy 


No Calor da Noite


No Calor da Noite

No calor da noite
gotas sonolentas
do suor do meu corpo
trespassam letras
de um livro

No chocalhar
das horas doentias
revejo velhos poemas
numa sofreguidão
que existe em mim

No suor da Lua
pingos de uma sede
suculenta  vadia
mergulham no seio
de um amor perdido

No meu ser lágrimas
de desejo
invadem
a nudez de uma mulher
de olhos pestanejantes

Acordo na sonolência
de uma noite em brasa
num luar sorridente
perante dois seres
que se amam fervorosamente.

Pedro Valdoy


Numa Manhã


Numa Manhã

Numa manhã
o portal do meu espírito
encontrar-se-á aberto
Num sorriso
sentirei a frigidez duma manhã
mas o calor do meu sentimento invade-me
ao presenciar aquela criança
esfarrapada alegre
a brincar com os farrapos
de neve que caem
num corpo frágil débil
fraco inocente

Ó triste ingenuidade
que invade a minha alma ao ver a alegria
ingénua duma pobre criança
que sente o calor da felicidade
falsa daqueles nacos de neve
sobre a sua esburacada roupa.

Pedro Valdoy

sexta-feira, 20 de setembro de 2013

A Palavra


A Palavra

Pelo mundo se espalha a palavra de Deus
misericordioso bondoso
com seu sorriso de paz
que atravessa o Universo

Os anjos entoam cânticos
pela paz proclamada
pelo ditoso Senhor
que nos protege sorridente

Somos almas de Deus
nosso ditoso Senhor e Mestre
que divulga a palavra
através do mensageiro Jesus

As planícies deliram
com as vozes de Deus
com o oscilar do vento
num murmúrio encantador

Os poetas
entoam seus versos
com a inspiração do Senhor
que lhes dá a beleza e a paz

Ó meu Senhor
eu me ajoelho a pedir graças
pelo condão de me dares um sorriso
da tua felicidade

A minha felicidade
é grande e harmoniosa
graças à tua bondade
quanto tens feito por mim

Obrigado meu Senhor
obrigado
Ajoelho-me nas terras
para um futuro paraíso.

Pedro Valdoy

requiem a um país


requiem a um país

fortes no antanho
enraizado na penumbra´
de um passado glorioso
com caravelas ao vento

construíram-se monumentos
capelas para o futuro
através dos séculos
na glória monárquica

trespassaram mares
com garra e valentia
nas ondas celestiais
derrotaram o “Mostrengo”

hoje e o futuro
na escuridão dos cobardes
estão os vendilhões da Pátria
que vendem tudo a patacos

empresas ouro
de outros tempos
tudo é entregue
na incapacidade de uma república

temos um sistema político
recheado de traidores
com o cinismo das palavras
com gritos de poder

e o povo arrasta-se
com cortes nos vencimentos
aumentos de impostos
mas o governo sorri

o sorriso será efémero
na travessia coberta de pedregulhos
por montes e vales
hastearemos uma nova bandeira…

pedro valdoy

O Lago dos Cisnes


O Lago dos Cisnes

Com suavidade
sentia-se o bailado
com os passos leves
uma nova estrela de encantos
com sensibilidade bela
ao sabor da música

A melodia
pairava no ar
como uma avezita com sua graciosidade
como um cisne
deslizava
pelas águas serenas
Seus compassos
deliciavam o público
extasiado
até aos últimos sons
melodiosos

A música a pouco e pouco
abriu o silêncio
durante alguns segundos
A transformação foi total
e rebentou com os aplausos
daquele público
que se levantou emocionado.

Pedro Valdoy

Silêncio


Silêncio

Na sombra do silêncio
humedeciam tuas palavras
na sensatez de um Inverno
coberto de um manto de neve

Na falsidade dos tempos
soavam os ecos da serenidade
por campos secos de friagem
no encontro de uma gaivota

São sílabas perdidas
nas vielas descampadas
na solidão inquieta
pelo sabor da paz.

Pedro Valdoy

Sementes de Poesia


Sementes de Poesia

Da semente nasce a poesia
para a eternidade
de uma paz estável
por prados verdejantes

São grãos de palavras
em sintonia
como a ingenuidade
de uma criança

É o aconchego das letras
feito pelo poeta
na imensidão
de um universo sequioso

Os sons misturam-se
com as metáforas
transformam-se
em imagens poéticas

Nesta atribulada nave
a poesia desenvolve-se
como o sossego de um rio
que corre por planícies

ao encontro do mar.

Pedro Valdoy


Fraternidade


Fraternidade

Fraternidade
palavra simples mas bela
que saltita pelo Universo
com a hermandade das flores

Na felicidade de um sentimento
com o cântico dos anjos
com o sorriso de Deus
com o significado de uma palavra

No Universo
a fraternidade das estrelas
sentem-se como flores
no oscilar dos ventos

Palavra quando verdadeira
espalha-se pelo cosmos
no esvoaçar sereno
de uma ave simples e bela...

Pedro Valdoy

quinta-feira, 19 de setembro de 2013

infinitesimamente transcendente


infinitesimamente  transcendente

pelas noites das estrelas
passeia o firmamento
por luzes na beleza dos sentidos
atravessando o brilho dos gnomos

são pontos belos encantados
no pólo de uma rosa
com suas pétalas abertas
sedentas de amor

no ruído das urzes
ultrapassadas pelo vento
que arrasta nuvens para o infinito
enamoradas apaixonadas

sem um fim à vista
a fada madrinha
com seus galanteios
passa por caminhos de cetim

são paixões que avassalam
meu coração solitário
encerrado na masmorra
de uma poesia talvez complexa...

pedro valdoy

Um Pouco de Surrealismo


Um Pouco de Surrealismo

Empalha a garça
costura a galinha
encasaca o galo

Encamisa o macaco
em fios de linho
por roupas a granel

Abotoa o pato
calça o rouxinol
no canto da melodia oca

Apressado vai o grilo
de meia camisa sem botões
pelas ruas da rádio

O salsifré é grande
na abelhuda da mosca
com saltos altos atamancados.

Pedro Valdoy

Lá vai a Nau


Lá Vai a Nau

Lá vai a nau por ventos
de mares e mares
com homens de ferro
destemidos sedentos

Novas terras em demanda
por caminhos desconhecidos
à procura do Prestes João das Índias
sem receios de algum mostrengo

Navegam entre tempestades
em incógnitas terras
desbravam mares por entre
ondas gigantes terríficas

Portugal é o lema da bravura
de costas e contra costas
por águas salgadas
o céu e água enfrentam

Por séculos e séculos
trespassam o vão das intempéries
em prol de um esquecimento
Só relembrado por Camões.

Pedro Valdoy